terça-feira, 2 de abril de 2013

Texto de Inês Bari e poema de Gastão


CHORA , TEREZA, CHORA...

 - Pode chorar, Cris, é sempre bom desabafar. Mas não chore muito, está bem? Sei como você é exagerada...
E Cris chorou, chorou, até criar sulcos. Chorou pelas ruas, pelos cantos, pelas praças, pelos cotovelos até não poder mais. Cris chorou até secar e seca muda, voltou para o seu lugar.
Depois foi a vez de João. Chorou pouquinho, chorou miúdo , um simples chorinho. Tímido e manso. Doído.  Mais chorado do que Cris e mais contido. Menos convulsivo. João chorou pouco, chorou mais sal do que água. Chorou do seu jeito, choramingando lento.
Marina já foi diferente. Chorava e interpretava. E enquanto interpretava, mais chorava e enquanto chorava, sofria , mas não sofria como Sofia, que fingia que não chorava. Sofia continha a lagrima contida, ainda não chorada, embalsamada, no canto do olhar aguado, petrificado que não cedia. E como Sofia , só uma enchente despertaria a serena e dolorida mágoa.Lágrima presa, quase calada, mas não evaporada como a de Olívia, que mal se via. Lágrima fria, vazando pr´a dentro, correndo  pr´o  peito,   chorando  sem  gesto,  sem  gostar , sem gosto. Chorando em protesto, sozinha, no chão da cozinha.
Choraram todos, os mais ardentes, os mais modestos, os indecentes e os honestos.
Chorou Pedro Rico, chorou Mané sem braço. Chorou José sem orgulho e a Rainha no Palácio, de óculos escuros.
Chorou Otávio na fuga. Chorou com medo porque chorou cedo. Chorou Dolores na chuva, chorou tudo o que podia. Sabia que confundia a água com sua dor. Chorava por amor. 
Não era assim com Lia, que chorava de alegria , chorava porque queria, pois se não chorasse, explodia, com toda sua emoção...
Então foi a vez de Teresa. E Tereza não queria saber de chorar. P´ra dentro ou p´ra fora, calada, angustiada, no centro da sala ou debaixo da escada : Tereza não chorava. Chora , Tereza , chora!!
Tereza em cima do muro. E Tereza não chorava. Tereza com os olhos do mundo. E Tereza não chorava. Teve que dar dois filhos. Morreu seu pai, sua mãe , sua avó. Seu marido tinha uma  amante que roubou tudo que lhe pertencia... e nada de Tereza chorar...
De raiva ou de ódio , de dor ou de seu amor : chora Tereza , por você, por nós, por favor...
...  E Tereza , tão somente
                                             SORRIA ...

TEXTO DE INÊS BARI / SANTOS
Mirante n° 5 – ano de 1983
Revista Mirante n°79  30 anos  Retrospectiva  páginas n° 30 e 31

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Acabando 
                  onça
                  elefante              na mata
        C    O    L    O    R    I    D    A
                  pio da coruja
                  canto do pássaro
Estamos com 
                        Punk
                        Tank na metrópole
    preta 
             Vivo do Tião Navalha
             canto do grupo vaselina suja
mata 
          à mata
         as tribos
                               as culturas
Guarany   Incas   Apaches
  mata 
           Tupi    xavantes
           cresce desvairadamente
           Metrópoles
Acaba com o sentimento do Zé
               Cresce com suas
                                             chaminés
               cinzas 
      armas atômicas
                  bananas escuras
  laranjas sem  C
             e o 
Grupo Punk:
                 “Não teremos discos 
                                       Fazendo cores 
                           MAIDE IN TERRA”


POEMA DE GASTÃO / SANTOS
Mirante n° 5 – ano de 1983
Revista Mirante n°79  30 anos  Retrospectiva  página n° 29

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