CHORA , TEREZA, CHORA...
- Pode chorar, Cris, é sempre bom desabafar. Mas não chore muito, está
bem? Sei como você é exagerada...
E Cris chorou, chorou, até criar
sulcos. Chorou pelas ruas, pelos cantos, pelas praças, pelos cotovelos até não
poder mais. Cris chorou até secar e seca muda, voltou para o seu lugar.
Depois foi a vez de João. Chorou
pouquinho, chorou miúdo , um simples chorinho. Tímido e manso. Doído. Mais chorado do que Cris e mais contido. Menos convulsivo. João chorou
pouco, chorou mais sal do que água. Chorou do seu jeito, choramingando lento.
Marina já foi diferente. Chorava e
interpretava. E enquanto interpretava, mais chorava e enquanto chorava, sofria
, mas não sofria como Sofia, que fingia que não chorava. Sofia continha a
lagrima contida, ainda não chorada, embalsamada, no canto do olhar aguado,
petrificado que não cedia. E como Sofia , só uma enchente despertaria a serena
e dolorida mágoa.Lágrima presa, quase calada, mas não evaporada como a de
Olívia, que mal se via. Lágrima fria, vazando pr´a dentro, correndo pr´o peito, chorando sem gesto, sem gostar , sem gosto. Chorando em protesto,
sozinha, no chão da cozinha.
Choraram todos, os mais ardentes, os
mais modestos, os indecentes e os honestos.
Chorou
Pedro Rico, chorou Mané sem braço. Chorou José sem orgulho e a Rainha no
Palácio, de óculos escuros.
Chorou
Otávio na fuga. Chorou com medo porque chorou cedo. Chorou Dolores na chuva,
chorou tudo o que podia. Sabia que confundia a água com sua dor. Chorava por
amor.
Não era
assim com Lia, que chorava de alegria , chorava porque queria, pois se não
chorasse, explodia, com toda sua emoção...
Então foi
a vez de Teresa. E Tereza não queria saber de chorar. P´ra dentro ou p´ra fora, calada, angustiada, no
centro da sala ou debaixo da escada : Tereza não chorava. Chora , Tereza ,
chora!!
Tereza em
cima do muro. E Tereza não chorava. Tereza com os olhos do mundo. E Tereza não
chorava. Teve que dar dois filhos. Morreu seu pai, sua mãe , sua avó. Seu
marido tinha uma amante que roubou tudo que lhe pertencia... e nada
de Tereza chorar...
De raiva
ou de ódio , de dor ou de seu amor : chora Tereza , por você, por nós, por
favor...
... E Tereza , tão somente
SORRIA ...
TEXTO DE INÊS BARI / SANTOS
Mirante n° 5 – ano de 1983
Revista Mirante n°79 – 30 anos – Retrospectiva – páginas n° 30 e 31
______________________________________________________________________
Acabando
onça
elefante na mata
C O L O R I D A
pio da coruja
canto do pássaro
Estamos com
Punk
Tank na
metrópole
preta
Vivo do Tião Navalha
canto do grupo vaselina suja
mata
à mata
as tribos
as culturas
Guarany Incas Apaches
mata
Tupi xavantes
cresce desvairadamente
Metrópoles
Acaba com o sentimento do Zé
Cresce com suas
chaminés
cinzas
armas atômicas
bananas escuras
laranjas
sem C
e o
Grupo Punk:
“Não teremos discos
Fazendo cores
MAIDE IN TERRA”
POEMA DE GASTÃO / SANTOS
Mirante n° 5 – ano de 1983
Revista Mirante n°79 – 30 anos – Retrospectiva – página n° 29
Nenhum comentário:
Postar um comentário