quarta-feira, 3 de abril de 2013

Poema de Mario Sergio de Andrade e poema de Cláudia Brino


SUICÍDIO

A poesia em ato de desespero
Conforma-se com o meio
E adapta-se.

A poesia em ato de exorcismo
Exonera o passado
E adapta-se.

A poesia em ato de nervosismo
Expurga a métrica
E adapta-se.

A poesia em ato de desprezo
Expulsa a rima
E adapta-se

A poesia em ato de crítica
Exorta o lirismo
E adapta-se.

A poesia em ato de sofrimento
Explora a lua
E adapta-se.

A poesia em ato de canibalismo
Experimenta as palavras
E adapta-se.

A poesia em ato de heroísmo
Extingue-se.


POEMA DE MARIO SERGIO DE ANDRADE / SANTOS
Mirante n° 26 – ano de 1999
Revista Mirante n°79 – 30 anos – Retrospectiva – página n° 51

________________________________________________________________


Ser assim é como
ser pedra.
Ter nascido no fim.
Engolir pirilampos
e sorrir céus.
Não uso movimento porque
ser múmia é ser historia.
Provoquei um lábio no
teu lábio desenho.


POEMA DE CLÁUDIA BRINO / SÃO VICENTE
Mirante n° 19 – ano de 1997
Revista Mirante n°79 – 30 anos – Retrospectiva – página n° 50

Nenhum comentário:

Postar um comentário