Eu em mim...
Sou minha prisão.
Um labirinto de vidro, medo e ilusão.
E ser real é sair da redoma,
Quebrar o vidro e exibir os cortes.
Mas ainda tenho porões escuros
Que nunca ousei limpar...
Tirar a poeira é mexer em feridas antigas
E para mim sempre foi dolorido
Pensar até o fundo das coisas.
Mas chega de pensamentos adormecidos!
É loucura sonhar
Nesse tamanho silêncio... sozinha.
Vivi por muito tempo
Engolindo falsos remédios...
Agora começarei abrindo portas
Para que o vento desmanche as teias
E voarei alto para que o tombo
Seja maior!
Deixar em carne viva a ponta dos dedos
De tanto provar...
E simplesmente ter todas as portas sem chaves
POEMA DE DENISE GOMES GONSALVES / SANTOS
Mirante n° 4 – ano de 1983
Revista Mirante n°79 – 30 anos – Retrospectiva – página n° 27
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cravo os olhos na pessoa
vejo e varo a vestimenta
súbita sensualidade ecoa
mudo o desejo se assenta
louco o pensamento revoa
ao consciente diz : tenta
um ninho de quarto à toa
faíscante em chama lenta
mas, ave-fêmea , logo voa
a molequinha é desatenta
ao bater asa inda ressoa
no poema que ela inventa
POEMA DE VIEIRA VIVO/ SÃO VICENTE
Mirante n° 3 – ano 1983
Revista Mirante n°79 – 30 anos – Retrospectiva – página n° 26
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