segunda-feira, 8 de abril de 2013

Poema de Regina Alonso e poema de José Antonio Galati



CORPO E SILHUETA

E em mim mesmo
Medo e espanto
Entendimento do que então fugia?
A silhueta encaixada no meu corpo
Dorso curvado, braços caídos
Pernas imóveis

De mim mesmo eu me distanciava
Desejo de ser outro
Casulo novo
Larva adormecida

Mas do medo e do espanto
Surgem asas
E esvoaço percorrendo o espaço

Lá do alto vejo a minha sombra
E entendo

Retomo o velho corpo

E me desfaço


POEMA DE REGINA ALONSO / SANTOS
Mirante n° 64  – ano 2009
Revista Mirante n°79 – 30 anos – Retrospectiva – página n° 75

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PESADELO

No mar sozinho afundei
E vi séculos de desgostos
E as mortes no meu rosto.

Carreguei areias e fiz estátuas
Alheio ao ar e ao vento
Perdi a cor e o movimento.

E em desespero esperei o certo,
Levando a esperança até o fim,
Desequilibrei as proas em mim.

Morri aguardando o infinito
E as ondas os meus olhos salgaram
E as minhas mãos os cegaram



POEMA DE JOSÉ ANTONIO GALATI / SANTOS
Mirante n° 63 – ano 2008
Revista Mirante n°79 – 30 anos – Retrospectiva – página n° 74

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