segunda-feira, 8 de abril de 2013

Poema de Marcella Santos e poema de Benilson Toniolo


PENÚRIA

 

Ando com uma vontade

de espalhar-me no ar
em milhões de moléculas

pulverizar-me na atmosfera,
neutralizar-me com o vento,
fazer as pazes com o mundo.

A concentração de mim
que há em mim
anda a assolar-me,
adoecer-me.

Ando travando batalhas
comigo mesma.
Quando ganho, perco.

Morro por viver
E quando sobrevivo,
mato-me.

 



POEMA DE MARCELLA SANTOS / SÃO VICENTE
Mirante n° 73  – ano 2011
Revista Mirante n°79 – 30 anos – Retrospectiva – página n° 82

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BANQUETE

A palavra está servida!
Sentem-se todos à mesa,
Senhores poetas vivos
E mortos –se assim quiserem.
Mordam desta tenra carne,
Avancem, gris cavaleiros,
Sobre seus nervos e ossos,
Sorvam com sofreguidão
A cor chumbo do tutano
Na palavra oferecida.
Mas cuidado! Eis que a caça
Em alguns pontos está crua,
Deve ser melhor assada
Antes de levada à boca,
Pois se mal interpretada
(Ou melhor, mal deglutida),
Eis que ganha nova vida
Contra nós se manifesta
E  seremos nós, agora,
Pela palavra atacados.
E ela nos devorará
A cada um, sem clemência,
Sorvendo nossos neurônios,
Sugando nossas cabeças,
E oferecendo ao futuro
Nossa língua ultrapassada,
Nossos lábios indigestos,
Nossos rostos abismados,
Que nunca disseram nada.
Somos devorados vivos
Por nossa própria impotência.
Pronto! Eis que vence a palavra!
Jazemos todos ao chão
Sob, a mesa, só resíduos
Dos poetas que não fomos.
A todos nós resta apenas
Recolher nossos pedaços,
Contar os vivos e os mortos,
Maldizer os desertores
Que abandonaram a luta,
E recomeçar esta caça
Da  carne-bicho-palavra
Para matarmos a fome
Que a nós liberta -e apavora.





POEMA DE BENILSON TONIOLO / CAMPOS DO JORDÃO
Mirante n° 72 – ano 2011
Revista Mirante n°79 – 30 anos – Retrospectiva – página n° 81


2 comentários:

  1. (SÓ ASSIM PARA ESQUECER DE TUDO)

    Quero um dia esquecer-me que existi por aqui
    Debaixo de pontes encontro amigos desconhecidos
    Deparo-me quase que na mesma situação
    Isso me faz chorar

    Tanta gente solta por aí nos roubando e tudo é normal
    A honestidade saiu pela culatra, foi para o bueiro
    Mas não me envergonho de ser honesto
    Pois não quero e posso imaginar

    Antes de tudo....preferia o nada
    Pois o nada não depende do tudo
    Tudo ...tudo é normal ?
    Não....não está nada normal

    Não quero me definhar através de bombas inimagináveis
    Não prefiro mais pensar, pois isso me traz angústia
    Quero apenas ....nem sei mais o que quero
    As necessidades dessa vida vou deixar, para que outros possam aproveitar, ou não.

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  2. ACORDEI DEPARANDO-ME COM COISAS QUE MEXERAM EM MINHA MENTE ...APENAS POR ALGUNS MINUTOS)

    Acordei cedo...muito cedo...cedo até demais
    Por saber que tudo em minha mente não existia mais
    Desgastado pela vontade imensa de poder sair fora de mim
    Minhas mãos....vazias, pedindo socorro

    De onde venho e para onde vou....não me importa agora
    Muitos verão que esse dia ainda vai chegar
    A implosão que causará as cabeças mais pensantes
    Não aguentaremos mais a pressão

    Onde estivemos durante tanto tempo?....talvez em algum lugar do passado
    Sendo que a lembrança...nem existe mais
    Medo do desespero de ficar só na solidão profunda
    Onde as casas começarm a ruir, e começam a desmoronar

    Não me digam o quanto é belo, nada mais é o que parece ser
    Não sei o que mais possa ser, ser de que ser do que ser
    Não me obstenho de coisas seculares
    Ao redor do que me tenha o acolhimento indefensável

    No momento me parece em frente ao espelho
    Não consigo enxergar minha imagem
    Desapareci sem deixar ratros
    Não sei mais onde estou

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