PENÚRIA
Ando com uma vontade
de espalhar-me no ar
em milhões de moléculas
pulverizar-me na atmosfera,
neutralizar-me com o vento,
fazer as pazes com o mundo.
A concentração de mim
que há em mim
anda a assolar-me,
adoecer-me.
Ando travando batalhas
comigo mesma.
Quando ganho, perco.
Morro por viver
E quando sobrevivo,
mato-me.
POEMA DE MARCELLA SANTOS / SÃO
VICENTE
Mirante n° 73 – ano 2011
Revista Mirante n°79 – 30
anos – Retrospectiva – página n° 82
____________________________________________________________
BANQUETE
A palavra está
servida!
Sentem-se todos
à mesa,
Senhores poetas
vivos
E mortos –se
assim quiserem.
Mordam desta
tenra carne,
Avancem, gris
cavaleiros,
Sobre seus
nervos e ossos,
Sorvam com
sofreguidão
A cor chumbo do
tutano
Na palavra
oferecida.
Mas cuidado! Eis
que a caça
Em alguns pontos
está crua,
Deve ser melhor
assada
Antes de levada
à boca,
Pois se mal
interpretada
(Ou melhor, mal
deglutida),
Eis que ganha
nova vida
Contra nós se
manifesta
E seremos
nós, agora,
Pela palavra
atacados.
E ela nos
devorará
A cada um, sem
clemência,
Sorvendo nossos
neurônios,
Sugando nossas
cabeças,
E oferecendo ao
futuro
Nossa língua
ultrapassada,
Nossos lábios
indigestos,
Nossos rostos
abismados,
Que nunca
disseram nada.
Somos devorados
vivos
Por nossa
própria impotência.
Pronto! Eis que
vence a palavra!
Jazemos todos ao
chão
Sob, a mesa, só
resíduos
Dos poetas que
não fomos.
A todos nós
resta apenas
Recolher nossos
pedaços,
Contar os vivos
e os mortos,
Maldizer os
desertores
Que abandonaram
a luta,
E recomeçar esta
caça
Da
carne-bicho-palavra
Para matarmos a
fome
Que a nós
liberta -e apavora.
POEMA DE BENILSON TONIOLO / CAMPOS DO
JORDÃO
Mirante n° 72 – ano 2011
Revista Mirante n°79 – 30
anos – Retrospectiva – página n° 81
(SÓ ASSIM PARA ESQUECER DE TUDO)
ResponderExcluirQuero um dia esquecer-me que existi por aqui
Debaixo de pontes encontro amigos desconhecidos
Deparo-me quase que na mesma situação
Isso me faz chorar
Tanta gente solta por aí nos roubando e tudo é normal
A honestidade saiu pela culatra, foi para o bueiro
Mas não me envergonho de ser honesto
Pois não quero e posso imaginar
Antes de tudo....preferia o nada
Pois o nada não depende do tudo
Tudo ...tudo é normal ?
Não....não está nada normal
Não quero me definhar através de bombas inimagináveis
Não prefiro mais pensar, pois isso me traz angústia
Quero apenas ....nem sei mais o que quero
As necessidades dessa vida vou deixar, para que outros possam aproveitar, ou não.
ACORDEI DEPARANDO-ME COM COISAS QUE MEXERAM EM MINHA MENTE ...APENAS POR ALGUNS MINUTOS)
ResponderExcluirAcordei cedo...muito cedo...cedo até demais
Por saber que tudo em minha mente não existia mais
Desgastado pela vontade imensa de poder sair fora de mim
Minhas mãos....vazias, pedindo socorro
De onde venho e para onde vou....não me importa agora
Muitos verão que esse dia ainda vai chegar
A implosão que causará as cabeças mais pensantes
Não aguentaremos mais a pressão
Onde estivemos durante tanto tempo?....talvez em algum lugar do passado
Sendo que a lembrança...nem existe mais
Medo do desespero de ficar só na solidão profunda
Onde as casas começarm a ruir, e começam a desmoronar
Não me digam o quanto é belo, nada mais é o que parece ser
Não sei o que mais possa ser, ser de que ser do que ser
Não me obstenho de coisas seculares
Ao redor do que me tenha o acolhimento indefensável
No momento me parece em frente ao espelho
Não consigo enxergar minha imagem
Desapareci sem deixar ratros
Não sei mais onde estou