quinta-feira, 4 de abril de 2013

Poema de Marcelo Ferrari e poema de Antonio Alves de Souza



MORTE

O cheiro pútrido da morte me
Convence
O que mais poderia achar dela
Bela, sincera ou tenebrosa?!

Cada passo, cada metro sentido.
Sem enxergar o espaço percorrido.
Ao menos,correndo para a vida
Ao menos, correndo para a morte.

Como um copo de vinho tinto
Teu sangue está na taça,
Borbulhando
Cheiro fétido de suas veias
Aí, você pode ver, a morte
Aproximando

Chega de flores e perfumes
Chega do que é belo, pois não é
Nada mais belo, não acredito
Prefiro o silencio, do que esse mundo nojento



POEMA DE MARCELO FERRARI / SANTOS
Mirante n° 37 – ano 2002
Revista Mirante n°79 – 30 anos – Retrospectiva – página n° 58

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PINGADOS

Cafés... pães... e mãos
No leite, na faca... na fome
Rangem os pés, as cadeiras
açúcar, leite, torresmo... ovos ?
Colheres na mesa, olhares mornos
Ah ! Manteiga... que fome!
Pinga o leite... pinga o café
está muito quente? Sai
Da frigideira pão na manteiga
Gostoso !
Passa a faca... passa o leite
Passa a mão, torrados pães
lábios fumegantes... canecas
acabou o café ... acabou o pão
Foi-se o leite, mãos lambuzadas
Ficou a fome!



POEMA DE ANTONIO ALVES DE SOUZA / SANTOS
Mirante n° 36 – ano de 2001
Revista Mirante n°79 – 30 anos – Retrospectiva – página n° 57

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