MORTE
O cheiro pútrido da morte me
Convence
O que mais poderia achar dela
Bela, sincera ou tenebrosa?!
Cada passo, cada metro sentido.
Sem enxergar o espaço percorrido.
Ao menos,correndo para a vida
Ao menos, correndo para a morte.
Como um copo de vinho tinto
Teu sangue está na taça,
Borbulhando
Cheiro fétido de suas veias
Aí, você pode ver, a morte
Aproximando
Chega de flores e perfumes
Chega do que é belo, pois não é
Nada mais belo, não acredito
Prefiro o silencio, do que esse mundo nojento
POEMA DE MARCELO FERRARI / SANTOS
Mirante n° 37 – ano 2002
Revista Mirante n°79 – 30
anos – Retrospectiva – página n° 58
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PINGADOS
Cafés... pães... e
mãos
No leite, na faca...
na fome
Rangem os pés, as
cadeiras
açúcar, leite,
torresmo... ovos ?
Colheres na mesa, olhares
mornos
Ah ! Manteiga... que
fome!
Pinga o leite...
pinga o café
está muito quente?
Sai
Da frigideira pão na
manteiga
Gostoso !
Passa a faca...
passa o leite
Passa a mão,
torrados pães
lábios fumegantes...
canecas
acabou o café ...
acabou o pão
Foi-se o leite, mãos
lambuzadas
Ficou a fome!
POEMA DE ANTONIO ALVES DE SOUZA /
SANTOS
Mirante n° 36 – ano de 2001
Revista Mirante n°79 – 30
anos – Retrospectiva – página n° 57
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